O
Rally Dakar 2009 – o primeiro a acontecer na América Latina,
começa no próximo dia 03 de janeiro. Até
o dia 18 de janeiro serão 530 equipes, sendo 230 motocicletas, 30 quadriciclos, 188 carros e 82 caminhões. Todas essas equipes
representam 49 nacionalidades – vão haver corredores do mundo inteiro competindo nas paisagens belas, porém perigosas, da América Latina.
O Rally
Dakar 2009 Argentina - Chile será a primeira edição do campeonato na
América Latina.
A equipe realizou uma expedição para mapear o percurso.
Partindo de Buenos Aires, as equipes vão passar por um percurso de mais de 9.550 km, sendo que 5.652 Km são circuitos especiais. Os aventureiros vão correr por cenários que variam desde as planícies da Patagônia até a Cordilheira dos Andes, passando pelo Deserto do Atacama – o mais quente do mundo.
Com um percurso calculado cuidadosamente para ser o mais desafiador possível, as equipes de montadoras e as equipes independentes, vão participar do que os organizadores do evento estão chamando de ‘O melhor Rally
Dakar dos últimos anos’, descrevendo-o como “Unchanged, Unequalled and Inimitable” – ou seja: Imutável, Inigualável, e Inimitável.
Em cada categoria haverão duelos entre os competidores mais fortes: Mitsubishi se digladia com a Volkswagen, BMW e Team Gordon, enquanto a Toyota e Nissan se enfrentam em sua modalidade. Há uma grande competitividade na categoria de duas rodas, com presença forte da KTM, mas o grande duelo deste ano será entre os caminhões, que estarão representados por grandes marcas como Kamaz, Tatra, Hino, Mercedes, Ginaf e o atual campeão, Man.
As dunas e areia estarão presentes nessa edição do Dakar!
Mas não apenas de veteranos calejados o Rally Dakar 2009 é formado. 16% dos inscritos, estarão participando no evento pela primeira vez! Entre eles, o motociclista brasileiro Zé Hélio, uma das grandes esperanças do país para uma boa posição no campeonato.
Zé Hélio é um dos maiores corredores da categoria, no Brasil
O piloto conseguiu muita experiencia no Rally dos Sertões, a maior prova do país.
O
reconhecimento e definição o roteiro
O
traçado deste evento foi definido pela equipe de
reconhecimento do Rally Dakar durante o ano de 2008.
A força de reconhecimento da Equipe Dakar se aventurou, para mapear o percurso da corrida.
Veja abaixo uma síntese do que aconteceu em cada um dos onze estágios do Reconhecimento e Mapeamento (R&M) realizado pela equipe.
Estágio 1: Valparaiso – 5 de Setembro
Com dois carros, um caminhão e uma motocicleta, a equipe Dakar partiu para Valparaiso, a primeira área do evento à ser mapeada e analisada. Para a surpresa do grupo de estrangeiros, era inverno aqui no hemisfério sul, e o clima chuvoso os surpreendeu no meio do caminho.
Valparaíso foi o ponto de partida do mapeamento, embora não seja o da corrida.
No entanto, logo eles puderam aproveitar um pouco da receptividade do povo latino. Eles se depararam com uma pequena escola, no meio do caminho, que abrigou os membros da equipe da tempestade e os acolheu com todo o calor do povo simples, que habita a região.
As crianças que estavam na escola no momento, ficaram fascinadas com os veículos e principalmente com a tecnologia que os desbravadores carregavam consigo. Após o termino das aulas, 25 das crianças passaram a noite na escola, se entretendo com os computadores e a internet. Na manhã seguinte, a equipe partiu, com a promessa de que passaria pelo local novamente, na época da corrida.
Estágio 2: La Serena – 6 de Setembro
A área de La Serena é coberta com uma vegetação rasteira e pequenas estradas tortuosas.
Conforme a equipe seguiu pelo norte de La Serena, um local bem mais árido, era esperado que a chuva que os acompanhava fosse acabar. Mas essa noção se provou errada, e os representantes do Dakar mais uma vez foram recebidos por uma pequena comunidade local – dessa vez, uma vila.
Os moradores da vila, no entanto, estavam mais eufóricos com a chuva do que com a presença dos desbravadores internacionais. O povo local estava feliz porque não chovia naquela região há 11 anos – mostrando que o Rally Dakar carrega ventos de mudança consigo.
Quando partiram, no dia seguinte, o clima já estava mais ameno. Apesar de um sol que foi descrito como ‘delicioso’ o clima continuou frio – pelo menos nas primeiras horas do dia. Quando o sol atingiu o seu ápice, o calor era intenso. “Mas na época da corrida, vai estar mais de 45º.”, lembram os membros da equipe.
Estágio 3: A caminho de Copiapo – 8 de Setembro
Com o Oceano Pacífico no horizonte, a equipe não se importa em perder tempo com pequenos imprevistos.
Após 4 horas árduas passando entre areia e dunas que foram descritas como ‘extraordinárias’, mas que exigiram muito dos motoristas e dos veículos, que acabaram causando um leve atraso, até chegar à serra que era seu objetivo.
Com uma vista que vai fazer muitos dos participantes do Dakar 2009 perderem seu tempo olhando atônitos, o caminho para Copiapo acompanhava uma serra que dá vista para o Oceano Pacífico, em seu trecho mais belo. A equipe não pôde evitar um passeio pelas praias que contemplavam o mar azul.
Durante o percurso, houveram problemas mecânicos em um dos veículos, mas não foi nada que os experientes mecânicos da equipe não puderam reparar rapidamente. Quem reclamaria de ficar parado, quando se tem uma vista como essas?
Mas o caminho até Copiapo ainda era longo e em breve eles estariam passando pelos caminhos ocultos que atravessam a majestosa – e misteriosa – cordilheira do Andes.
Estágio 4: Copiapo – 9 de Setembro
Os caminhos que passam pela região atravessam vales e formações rochosas impressionantes.
Copiapo se mostrou um circuito muito interessante, com algumas facilidades, como se é esperado que determinados pedaços do percurso sejam. Mas isso não dura muito, os últimos 100 quilômetros são extremamente difíceis.
Prova disso é que o motor que havia sido concertato deu problemas novamente, dessa vez exigindo uma tarde inteira de dedicação e trabalho duro, por parte dos mecânicos da equipe, para resolver os inconvenientes de uma vez por todas.
Prevendo que as dunas que viriam a seguir seriam classificadas como fáceis, os desbravadores seguiram sua viagem, após acampar em suas barracas, que estavam nas partes mais baixas em relação às dunas, prontos para partir de manhã, quando, teoricamente, a areia está mais firme.
Estágio 5: Dunas de Copiapo – 11 de Setembro
As belezas naturais de Copiapo vão chamar muita atenção dos participantes do Dakar 2009
A equipe havia calculado que cruzaria as Dunas de Copiapo em 6 horas, mas as areias do local se mostraram um páreo duro e o trajeto que deveria ter sido coberto nesse tempo, levou 12 horas! “As dunas de areia de Copiapo são bem mais difíceis do que imaginávamos”, informou a equipe.
Mais uma vez – não foi a primeira e nem a última – os aventureiros ficaram pasmos com a beleza natural que a região possuía. Apesar de ser gente acostumada com desertos, a maravilhosa paisagem do local os fez parar várias vezes, para tirar fotos e contemplar o horizonte.
No dia seguinte, a equipe passou a seguir pelos Andes, que seria considerado o trecho mais belo do percurso.
Estágio 6: Fiambala – 14 de Setembro
Água e terra se encontram nos cenários de Fiambala
As considerações se comprovaram, durante o percurso dos aventureiros pela região dos Andes. Com um panorama que revezava entre praias da areia mais branca e montanhas altíssimas, a equipe Dakar vislumbrou paisagens inesquecíveis – paisagens que serão vistas por todos os participantes da prova, quando a competição começar.
A vida selvagem da América do Sul poderá ser vista em vários momentos da corrida.
Nos momentos das formações rochosas, os veículos chegaram a trafegar numa altura de mais de 4.600 Km – o tempo todo banhados por um sol que tingia todos os arredores de um tom cobre, que deixava tudo ainda mais belo.
Com a areia e as dunas na região, ninguém vai sentir saudade da Africa tão cedo.
Após alguma espera para atravessar a fronteira com a Argentina, que esteve fechada devido à nevascas que ocorreram nos dias anteriores, a equipe chegou ao outro país e se dirigiu à sua próxima parada, na região de La Rioja.
Estágio 7: La Rioja – 15 de Setembro
Pedras imponentes pontuam o cenário de La Rioja.
A parte final do percurso de La Rioja se mostrou extremamente difícil, até mesmo para a equipe especializada que estava fazendo o Reconhecimento. Houveram momentos, em que foi necessário se utilizar das motocicletas para encontrar o caminho certo.
O panorama varia com grande frequêmcia nesse trecho do evento.
Em várias partes do caminho, a equipe passou por vilarejos, onde foram aclamados, e seus veículos o centro das atenções. “Se eles gostaram de dois carros e um caminhão, imagine quando o Rally passar por aqui!”, comentou um dos membros da Dakar.
Mais tarde, conforme seguiam seu caminho, um dos carros sofreu danos graves – uma pedra grande e afiada estava escondida na vegetação baixa e acabou inutilizando um dos veículos além do que poderia ter reparos imediatos. Mas isso não desanimou a equipe, que continuou seu curso normalmente.
Estágio 8: Cordoba – 16 de Setembro
Uma árvore de cactos de mais de 4 metros de altura prova que a natureza é selvagem em Cordoba.
As belezas naturais de Copiapo vão chamar muita atenção dos participantes do Dakar 2009
Na última parte da primeira viagem de reconhecimento, o cenário mudou. Ao invés de areia e dunas, a paisagem se modificou drasticamente, dando espaço para terra e arvores. “O final do Rally parece com o final do percurso tradicional de Senegal. Nós temos as florestas, as estradas de terra batida. A única diferença são os cactos.”, afirma um dos desbravadores
E é realmente surpreendente. Existem florestas, nos primeiros 200 Km dessa parte do trajeto, que têm arvores de cactos com mais de 4 metros de altura! “Se alguém do motociclismo tomar um tombo por aqui, os médicos vão passar a noite muito ocupados, com uma pinça.”, brinca outro membro da equipe.
Com boa parte do Livro do Percurso pronto, os aventureiros têm uma boa noite de descanso, antes de voltar pra casa e cuidar de outros aspectos do Dakar 2009 – pelo menos até Outubro, quando eles voltam para completar a outra metade do livro.
Algumas estradas cruzam terrenos de fazendas, onde os animais pastam.
Estágio 9: Santa Rosa – 7 de Outubro
A equipe volta em maior número.
Após 21 dias longe dos territórios que o Dakar determinou como pista, os desbravadores retornam ao campo, dessa vez em maior número e com uma maior infra, determinados a acabar a parte que falta no Livro do Percurso, a parte que mapeia o começo.
E como se poderia imaginar, a primeira parte do trajeto – que começa em Santa Rosa – é muito tranqüila, garantindo um começo fácil para todos os participantes. É a penúltima área fácil do Rally Dakar de 2009. Selecionaram um trecho bem simples, para garantir que os ‘marujos de primeira viagem’ não se intimidassem antes da hora.
Estágio 10: Puerto Madryn – 10 de Outubro
A Patagônia tem belíssimos lagos de superfície límpida.
Puerto Madryn guardava uma surpresa para o comboio de aventureiros. Ninguém menos do que Etienne Lavigne, o Diretor do Rally Dakar, se juntou ao time, mostrando que apesar de ser um homem de negócios, não tem medo de sujar as mãos e entrar na ação.
Além de Lavigne, também se juntaram ao grupo um par de jornalistas, sendo um deles representante da grande rede de mídia, Eurosport e o outro era da French TV. Ou seja: mesmo meses antes de estrear, o Rally Dakar já estava cheio de atenções da mídia.
As grandes planícies da Patagônia são um cenário maravilhoso, com lagos e cheio de animais que acompanhavam o movimento do comboio com curiosidade. A atividade da natureza é claramente visível neste lugar, principalmente para quem está acostumado com o cenário cinzento das cidades.
Um problema, no entanto, é a quantidade de cercas e portões que cruzam o percurso nessa região. A Patagônia é formada por diversas grandes propriedades privadas, portanto as cercas são uma barreira comum. Para evitar qualquer tipo de problema, os portões estarão abertos durante a corrida, e haverão representantes da Dakar em cada um deles.
Estágio 11: Jacobacci – 16 de Outubro
O último entardecer que a equipe dos mapeadores presenciou na região, antes de voltar para casa.
Na linha final do reconhecimento do terreno, Jacobacci deu a garantia de que será um trecho difícil para as equipes que vão participar da competição. Apesar disso, será familiar para quem já correu na categoria antes, uma vez que consiste areia e dunas, muitas dunas.
Os carros atolaram na areia com muita freqüência, deixando claro que o percurso deverá ser feito com muita atenção, para evitar que o mesmo aconteça com os participantes, durante a corrida. Mas quem ficar atolado, pelo menos terá uma belíssima paisagem para se distrair.
Outro perigo são os espinhos, escondidos na vegetação baixa – alguns compridos como um dedo – que fizeram um grande estrago nos veículos da equipe Dakar.
O cenário se cobre de sombras quando o sol se põe, na espera pelos competidores que voltarão ao local em Janeiro, quando a competição tem sua festa de inauguração.
Com o mapeamento e reconhecimento completos, os desbravadores passaram uma última noite na área selvagem, antes de voltarem à civilização e acabar o longo – e menos interessante – processo da produção do Livro do Percurso.
Confira agora o videoclipe criado durante a aventura de reconhecimento e mapeamento do percurso.
E não poderiam faltar algumas cenas dos nossos vizinhos, Argentina e Chile.
Com grandes expectativas, tanto da organização quanto do público, o Rally Dakar 2009 Argentina – Chile, está com todas as possibilidades para ser o maior evento de esportes radicais do próximo ano. E tem tudo para entrar na história não só como o primeiro Dakar na América do Sul, mas também como o melhor dos últimos anos.
Veja
também como teria sido o Dakar 2008 entre Lisboa e
Senegal - cancelado por questões de segurança e em
função da instabilidade política no norte da Africa: